domingo, 26 de outubro de 2008

Retrato marcado


Essa foto é de divulgação de uma exposição que tá rolando na National Portrait Gallery aqui em Londres. É uma exposição da fotógrafa já falecida, Annie Leibovitz. A mostra apresenta 150 fotos de pessoas próximas dela, como família e amigos.
http://www.npg.org.uk/live/index.asp

Essa introdução foi só pra ilustrar o caminho das pedras que me fez parar pra pensar nos idosos e no ciclo da vida. Indo pro trabalho dei de cara com essa foto e consegui ver a semelhança entre o jovem e seu pai ao lado e parar pra pensar nesse trem.

Incrível como são poucas as vezes, como do exemplo acima, que vemos num idoso o retrato de sua juventude.
Concordo com o comentário de uma amiga de que as vezes temos a sensação que os idosos sempre foram velhos e que em sua grande maioria tem um jeito uniforme de se vestir, agir e pensar. É como se com o passar do tempo as pessoas fossem se tornando "beges e cinza claras", numa linearidade boring.

Acho incrível quando me deparo com uma velhinha no tube e vejo seu próprio corpo marcado com as marcas da vida. Marcas essas que não faço idéia se foram formadas por muitas noites festiando, muitas drogas, amor e tranquilidade ou caminhadas no parque...


E pensar que essas comportadas senhoras já foram jovens e belas e agora são maduras como as frutas, estando já num estado mais avançado da vida. Hoje (horrível confessar isso) quando vejo um rosto lindo de 18 anos às vezes me pego lembrando da minha pele nessa idade: tão linda, tão macia e firme. Não que tenha mudado muito, mas consigo sentir a sutil diferença com os meus 28 anos.

De qualquer maneira é fantástico saber que assim como cada ruga do corpo representa uma vivência, uma evolução, nossa alminha invisível também está a se transformar a todo momento, também sofre o mesmo processo de amadurecimento que nosso corpo, adquirindo suas próprias marcas. Algumas delas involuntárias outras batalhadas com suor, mas todas únicas. Ficamos mais sábios ou mais alienados, mais seguros, mesmo que dentro da nossa própria verdade, com a memória mais fraca se não "malharmos" o cérebro de vez em quando ou um avião como é meu vô, que nunca deixou seu intelecto morrer...

Ciclo da vida. Até que alguém prove o contrário, nosso ciclo tem um início, meio e fim e daqui a trezentos anos seremos pó e mais nada.

Ou alguém vai me dizer que tem a vaga idéia de quem foram os pais dos pais dos pais do pai de seu pai?

3 comentários:

Gis disse...

Que lindo texto! Adorei. Parabéns!

femarth disse...

confere esse site lú.. velhinhas mega estilosas....
hahaha
bjs

http://advancedstyle.blogspot.com/

Lua disse...

Valeu Gis! ;-)

Ferr, dá onde tu tirou esse blog massa?? Só tu mesmo, sempre me mostrando algo novo pra fazer eu rever meus conceitos! ;-)