domingo, 26 de outubro de 2008

GOMORRAH

Semana passada fui ao cinema assistir o tão comentado filme Italiano Gomorrah, do diretor Matteo Garrone, baseado no livro de Roberto Saviano e premiado no Festival de Cannes desse ano com o Grande Prêmio de Crítica.

Antes de dar a minha opinião, quero abrir um parêntese importante:
- No dia do filme estava cansada e queria ver um entretenimento mesmo, algo leve ou no mínimo interessante depois de um dia duro. Quando digo leve não quer dizer que tenha que ser um pastelão, mas uma linguagem fluída pelo menos.
- Vi em inglês, o que me fez estar 100 vezes mais concentrada e com dificuldade de entender algumas linhas e entrelinhas que todo filme possui.

Ok, apesar desses pesares fui ao cinema com uma super expectativa, pois sabia que o filme tinha recebido muitos elogios de crítica e pra minha surpresa detestei o filme. No início prometia ser um grande filme, mas quando me dei conta que as histórias não iam se encontrar nunca e não ia passar daquilo, murchei. Passei o tempo todo me remexendo na cadeira e no final das quase três horas de duração só sonhava que o filme acabasse de tão entediada que estava. Pra minha surpresa, minhas outras três amigas que foram junto acharam a mesma coisa: um pé no saco.


Achei a fotografia ok. Foi o melhor do filme talvez, mas foi ok, ou seja nada de mais. Existem beem melhores por aí. O filme apresenta histórias paralelas de pessoas envolvidas de alguma maneira com a máfia. Retrata a máfia em Nápoles, nos anos 60 e 70. Mostra basicamente o submundo envolvendo os mafiosos, as drogas, as armas, as "tretas" em geral, numa cidade suja e feia, que por sinal provocou a ira dos Italianos mais nacionalistas.
A linguagem do filme é simples, documental, vida real, camêra oculta e com alguns planos abertos bacanas.
Embora o tema seja interessante achei que as histórias contadas foram muito mal exploradas, trazendo muito pouco além do imaginário popular que se tem dos mafiosos na Itália: poder, drogas e armas. Além disso, essas histórias eram pouco conexas entre si e um tanto confusas, sem uma linha fluída e contínua nem ao menos em cada uma delas.

Tem um post num blog que encontrei que retrata bem o que achei do filme, por isso achei legal botar aqui. Segue o link:
http://cineclubefdup.blogspot.com/2008/10/gomorra-ou-cidade-de-deus-italiana.html

Confesso que ao ler mais sobre o filme achei mais interessante os bastidores que trouxeram a tona o filme do que o próprio filme em si.
Li que no livro em que foi baseado o filme, o autor narra em detalhes a organização da Gamorrah Napolitana, mapeando nomes, destrinchando episódios ocorridos, fazendo balanços de finanças, saldos, cifras, vítimas. Eis aí uma boa indicação de que talvez o livro seja mais interessante e esclarecedor que o filme.

Segundo li no site Cinequanon, para o autor conseguir o feito, ele foi durante anos um infiltrado nesse submundo da máfia e desde o seu boom editorial vive (sobrevive) sob escolta particular, mudando freqüentemente de residência. Quando o filme homônimo dirigido por Matteo Garrone foi indicado à Cannes este ano o escritor napolitano manifestou preocupação em ir ao evento e sofrer algum tipo de atentado surpresa.

Também achei interessante essa visão de que para os italianos Gomorrah pode ser considerado um abre alas para uma nova etapa no cinema nacional, pois trabalha uma verdade crua e sem ser romanceada, onde vemos uma máfia sem brilho e glamour em meio a pobreza e o desgaste desse meio. Além disso os filmes italianos em geral tendem a trabalhar em cima da comédia e de histórias de amor, por isso um filme mais naturalista, "docudrama" pode dar uma boa arejada no cinema Italiano.


Enfim, como escrevi no início do post, eu estava com um monte de pesares no dia em que assisti o filme e acho importante salientar isso porque as vezes revejo um filme e me surpreendo com um novo olhar.
Por isso, pra não ficar só malhando, coloco em baixo sem dúvida a melhor cena do filme, de mais impacto onde os opostos se chocam.
Dois moleques encontram um monte de armas e iniciando -se no mundo do crime vão brincar e testar suas novas aquisições na praia.
Crianças "frágeis" (onde até a vestimenta trabalha essa fragilidade) num sonho perdido x violência e inversão de valores.
http://uk.youtube.com/watch?v=NVK5GBiVeAM

E se você assistiu o filme, contaí! ;-)

2 comentários:

Fabi Reis disse...

Ainda não li o texto, mas recomendei o cinema. Barbican. E, aí, gostou do lugar? Não tenho culpa se escolheram o filme errado. hehe

Pena que pagaram £8. Vou ler o texto pra saber o que rolou.

Lua disse...

Fabi

muito bacana o lugar, adorei. Vamos combinar de voltar lá pra tomar um café, papear e ver um filmezito?