sábado, 23 de janeiro de 2010

De o quanto eu posso ser interessante

É estranho pensar sobre isso, mas a linha que separa uma pessoa interessante de uma desinteressante pode vir a ser muito tênue. Afinal, o que é ser interessante?
Uma pessoa pode não ser interessante na minha opinião, mas se achar (ou os outros acharem) super interessante. Assim como o inverso também é verdadeiro, eu considerar ela super interessante e ela não ter auto estima suficiente pra enxergar isso.

O que eu sei é que as situações do dia-a-dia definem o que a filosofia ainda discute.

Vai dizer: as vezes a pessoa pode ser um poço de cultura, mas tudo que você quer no momento é esvaziar a cabeça. Ou seja, fom-fom: pessoa nada interessante pro momento.
Ou até mesmo super entendida em culinária. E daí. Fom-fom de novo: assunto que nunca te comoveu!
Ou mesmo daquele tipo que fala sem parar de coisas que eu categorizo de porre. Um bom exemplo é quando te contam o passo a passo do dia - a dia, com horas, direções e banalidades chatérrimas o tempo todo, sem se dar conta o quão porre isto é. Ai, até cansei só de imaginar. Bom neste último exemplo dei uma viajada saindo da questão ser interessante/desinteressante para outra categoria, que poderia muito bem ser intitulada de Por onde anda o seu semancol? ou Terapia cadê você?.


Enfim, esse assunto veio a tona nessas férias de fim de ano que passei no Brasil. E à parte dessas situações do dia-a -dia que levam ou não uma pessoa a ser interessante, quando se mora em outro país, com outra língua e outra cultura, a nossa percepção sobre si mesmos é de que em muitas situações somos desinteressantes.

Devo admitir que 2009 foi um ano tão intenso que por mais controverso que pareça me senti uma pessoa desinteressante.
Viver longe é uma delícia, conhecer pessoas, conhecer lugares, conhecer e conhecer e conhecer e se ver num abismo de possibilidades que a vida oferece. Posso dizer que 2009 foi o ano de absorção. Ano em que tudo entrou, tudo foi absorvido literalmente. Naquele clima: claro, sempre cabe mais! Nada saiu.

E o que mais me chamou a a atenção no Brasil foi a questão da língua. O quão interessante é ler e falar na língua mãe. O quão profundo qualquer assunto pode ser, pode se transformar, quão natural isso acontece e quão lindo isso é.

Quando tu te distancia da língua mãe, na tentativa de aprender outras tu deixas de ser um pouco interessante, deixa de ser um pouco tu. (por um lado. É claro que o fato de seres de outro país também é um fator de interesse e curiosidade dos demais).

Aqui, em Londres por exemplo, eu quero o Inglês em todas as situações e não o Português. Mas de bônus tenho que lidar com a falta de palavras, as meias palavras ou até mesmo as mesmas palavras.

O mundo que se abriu pra mim ainda não cabe nas palavras.
E olha que se comunicar não é o problema. Isso é básico e é uma delícia. O problema é aprofundar, filosofar, descrever minuciosamente então nem se fala.
Os livros que eu leio em inglês nem de perto são a lá Dostoievski. Ainda não. São bem mais rasos.

Como diz uma amiga contando de sua aula na faculdade por aqui. Quando chega na hora do brainstorm, os colegas ingleses vem com raciocínios elaboradíssimos, que ela muitas vezes nem entende. Já ela inevitavelmente arranca com palavras primárias: pink, table -Huhauhuhuh.
É natural que seja assim, como exigir o mesmo grau de conhecimento de inglês se comparado com a língua que estamos aprendendo desde que nascemos?

Por isso a ida ao Brasil foi tão boa. Quantos papos profundos até de madrugada, quantas pessoas interessantes que falam a mesma língua que tu. Deu pra balancear um pouco essa questão. Deu pra enxergar o ano que passou com humildade e com a certeza que nada foi em vão.
Afinal, já é sabido que nada como sair um pouco do habitat habitual e olhar pra ele de fora. Retomar a ele com outros olhos, outras percepções e interesses. Nunca me achei tão interessante como nessa viagem.

E vislumbro um 2010 ótimo pra todos nós em que a palavra da vez vai ser ação! Iupi!

2 comentários:

Gis disse...

Sim, senhora interessante! Deus queira que 2010 seja de muita ação e muita colheita. ;-)

Lua disse...

Hauhaha, adorei o "Senhora interessante!".
Sim, vai ser. Pq algum fruto vai ter que brotar... ;-)