quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Colômbia con las voces del secuestro e las Farc


Já é matéria massivamente vista e revista pela mídia mundial, principalmente nos últimos meses, mas tô há horas com esse tema em pauta: as Farc e a Colômbia. Na manhã após Ingrid Betancourt e outros 14 reféns (americanos e militares Colombianos), serem resgatados pela operação do Exército da Colômbia, apelidada de "Jaque" (que em português pode ser traduzido como Xeque), eu lavei a alma chorando enquanto lia as notícias na internet.

Um pouco desse choramingo foi em função da comoção que eu senti ao ver que nascia uma nova realidade entre Colômbia, mundo e Farc. Realidade essa ainda em "suspensão", mas que sem dúvida já está se recriando a partir dos últimos fatos, ou ao menos trazendo a tona uma revolução "cansada e defasada".

Outro TANTO desse choramingo foi em função de ter conhecido uma Colombiana "refugiada" aqui em Londres dias antes e ter ouvido da sua boca como é viver na Colômbia em meio a toda essa bagunça e como os Colombianos se organizam pra amenizar a situação, como no exemplo fantástico que citarei mais embaixo (Não deixe de ler!) a respeito da rádio Caracol e "las voces del secuestro".
Antes de conhecer a Beatriz, a tal Colombiana, conhecia as Farc e sua "selva de pó" superficialmente e fazendo um trocadilho chulo, sabia tanto das Farc quanto eu sei de plantas exóticas. Espécie Estranha? Mas e dai! Pode ser venenosa? Talvez! Traz algum benefício? Quem é prejudicado e quem tira proveito dessa "erva daninha"? Blá, blá, blá a parte, a verdade é que não sabia porra nenhuma das Farc e ainda sei muito pouco, mas o suficiente pra colocar meu tempero nesse caldo!

Enfim, comecei a ler mais sobre as Farc e quanto mais eu lia, mais fascinante era esse enredo político e econômico entre governo-povo-rebeldes que já dura mais de quarenta anos. E gostaria de dividir com vocês um pouco do que li e pesquisei por aí e do que senti. Se você for um "pau duro" como diria meu jovem amigo Shimia e tiver paciência de ler até o final compartilhe comigo suas percepções, please! ; -))


(PARTE I - CONTEXTUALIZAÇÃO)
As Farc são contra o modelo capitalista (EUA) pregando a liberdade e os princípios bolivarianos, ao passo que exercem seu "poder" de forma autoritária e ao meu ver um tanto primitiva. Se sustentam através do plantio e tráfico internacional de drogas (enchendo o rabo de dinheiro??!!), que por sua vez é "sustentado" e consumido prioritariamente pelo seu maior inimigo: os EUA. Os Rebeldes estão na selva, junto com uma pitada de ideologia, uma "pá" de cocaína (com certeza a droga que você consumiu um dia veio de lá.;-P), alguns milhares de guerrilheiros (que formam um exército armado até os dentes) e centenas de seqüestrados. Cada um desses itens tem seu próprio valor de troca, poder político e econômico.


Sem sombra de dúvidas a plantação de coca é um dos itens mais valiosos que há por lá. Uma via dupla: sem os traficantes as Farc não conseguiriam manter sua estrutura ao passo que sem os Revolucionários os traficantes ficariam sem seu escudo de proteção.
Segundo a ONU, a Colômbia aumentou em 27% o cultivo de coca em 2007. Cultivo esse feito em sua grande maioria nas selvas ocupadas pelos revolucionários e traficantes. O curioso é que tanto na Colômbia (maior plantação de coca do mundo) quanto no Afeganistão (maior plantação de ópio do mundo) quem domina esses mercados lucrativos são os "rebeldes": Farc por aqui e Talibã por lá e quem luta por trás do governo pra dominá-los são os EUA.

Um outro valor cada vez mais em alta é a expertise no ramo dos seqüestros que vem rendendo uma fatia no mercado de trabalho informal. A Colômbia possui um alto índice de seqüestros, atentados anuais relacionados aos movimentos dos Rebeldes ou Insurgentes" (nominação mais leve dada por Cuba e pela Venezuela). Falarei um pouco mais disso na "Parte II - Relatos de uma Colombiana".

Mesmo com todo esse mercado paralelo de business, as Farc vem enfraquecendo nos últimos tempos e não sou eu quem diz, são os fatos:
EUA patrocinando os militares e apoiando Uribe; morte do grande líder Marulanda; assassinato do seu braço direito Rául Reyes no Equador; liberação de reféns como Clara Rojas; resgate dos principais seqüestrados, quase nenhum apoio público por parte dos Colombianos e pra pisotear ainda mais, tendo um menor apoio (ao menos público) de Chaves. Com isso os movimentos sociais menores como ALN enfraquecem junto, e todos entram juntos na "bola de neve" que desce ladeira abaixo.

Só pra não parecer que eu só "chineleio" as Farc, quero deixar claro que odeeeio a política dos EUA e não quero de fato algum defendê-la. É uma política escrota e em muitos aspectos muito pior que as Farc. Enquanto as Farc "roubam" as riquezas naturais da Colômbia, os Eua roubam as riquezas naturais e mais um pouco do mundo TODO!
Mas enfim, pro bem ou pro mal, minha formação é um tanto capitalista e não posso esquecer que por pior que seja a situação, ainda prefiro achar que eu decido alguma coisa na "ditadura democrática" a ter uma "ditadura autoritária".
Nem entremos a fundo no quesito consumo: tomo Coca-Cola (que por sinal, um de seus principais ingredientes vem justamente da exportação legal da planta de coca. É uma espécie chamada coca dulce), adoro ver um Prison Break e acho NY uma das cidades mais cool do mundo.


Tampouco curto a forma como as Farc "conduzem o trem", mas não posso negar que eles têm alguns méritos. Possuir ideais é um deles. Lutar arduamente pelos seus ideais é outro.
Quem hoje em dia tem um ideal capaz de se manter por mais de quarenta anos? Ou por um ano? Você que esta lendo esse texto, seja franco: dedicaria a sua vida toda por alguma causa em que você acredita ferrenhamente? Provavelmente isso significaria redirecionar todas suas energias pra essa causa a ponto de renegar algumas coisas, inclusive sua família e seu conforto entre outras cositas más. Provavelmente a resposta é não.
Natural, pois vivemos numa época de apatia, passividade e "não é comigo". A gente vai vivendo a nossa vidinha, bem dentro da bolha e quando levanta o dedo pra reclamar, não passa disso, pois no minuto seguinte o assunto já volta pro futebol. Discurso oco e vazio. Me incluo!

Pelos seus ideais é que as Farc justificam "conduzir o trem" da forma que conduzem.
Se espelham em Marx e Lenin, com princípios bolivarianos, se opondo a influência americana. Em seu discurso defendem os pobres e oprimidos para que eles tenham condições mais dignas, principalmente o agricultor na luta contra as classes favorecidas.
Além disso lutam contra privatizações dos recursos naturais, contra multinacionais e tudo que seja conseqüência econômica do capitalismo. Também são contra os paramilitares. Esses ideais impulsionam o grupo a tomar o poder da Colômbia pela Revolução armada. No "pacote Revolução armada" estão inclusos esforços de extorsão, seqüestro e participação no tráfico ilegal de drogas.

Saindo um pouco do romantismo e olhando pro resto todo que envolve essa lambança. Ter um ideal é fácil. Mas pra ele realmente ter peso, duas coisas precisam ser levadas em conta por parte do idealista: integridade e forma como esse ideal vai ser apresentado para os demais. É coerente impor um ideal ao povo de uma maneira tão autoritária e defasada como é a "luta armada", que, vamos combinar, há muito já deixou de ser o jeito de resolver as coisas nesse mundo. Como se não bastasse por si só ainda vem patrocinada pelos traficantes na selva! Tudo isso as custas da tranqüilidade, do dinheiro e dos recursos naturais do povo.

Tudo na vida tem o lado bom e o lado bom e ruim (Óhh, quanta novidade!) Só que na maioria dos casos é possível por na balança e avaliar.
FARC e demais forças revolucionárias: Vamos combinar que tá descompensado esse negócio!

Aqui me parece caber bem a conclusão do Mario Vargas Llosa em seu artigo “Operación Jaque”, que diz: “esperamos que nadie-nadie que no sea imbécil o cómplice, pretenda todavía presentar a las FARC como romántico movimiento de idealistas que han tomado las armas para luchar por la justicia y la igualdad de los Colombianos”.

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(PARTE II - RELATOS DE UMA COLOMBIANA)
Conheci a tal Colombiana que cito no inicio do texto, e pude saber da boca dela como está a situação na Colômbia, como os Colombianos em geral vêem tudo isso, como é conviver com o medo, seqüestros, revolucionários, Uribe, Chaves e guerrilheiros.

A Beatriz Maduro trabalhou comigo uns meses aqui em Londres e nos momentos de "relax" no trabalho foi me contando suas percepções. É importante deixar claro que são as percepções dela, que vive dentro do contexto, que é classe média e que pensa como a maioria dos Colombianos.

Na verdade ela acabou vindo para Londres pra fugir de um possível seqüestro e sua irmã, que tem uma filhinha, também sofreu a mesma ameaça e optou refazer sua vida no Canadá. Ambas tiveram condições de sair da Colômbia, mas a maioria da população, como a própria mãe delas, não possui recursos pra dar o fora e a única solução é aprender a conviver com o medo.

Retomando a questão dos seqüestros levantados no texto acima...A Bea me explicou que na Colômbia, além dos Revolucionários, Farc e da ELN, as famílias tem que conviver com uma outra subespécie, os "adeptos a rebeldes" ou seqüestradores de plantão. São criaturas que em função da pobreza e do senso de oportunidade aguçada se juntam para seqüestrar famílias inteiras, amedrontá-las, suborná-las, aterrorizá-las e ainda fazer um dinheirinho. O dindin vem de duas formas: vendendo as pessoas pros Revolucionários ou cobrando uma mensalidade dessas pessoas pra "preservá-los" seguros e intactos em suas casas. Nossa, adrenalina pura! O objetivo maior deles é movimentar grana o que gera um carnê sempre em débito para o povo.

E foi dialogando com esses bandidos que a Beatriz, sua irmã e sua mãe se viram nos últimos meses em que estiveram juntas na Colômbia.

Suas rotinas foram modificadas e os cuidados redobrados. As guapas só saiam de casa mediante uma série de questões, como não andar sozinha, alternar rotas e horários, avisar a alguém de confiança sobre todos os passos e etc. Essas dicas são dadas pelo Governo, que tem uma equipe preparada para auxiliar a quem precisa com precauções antiterror de como se proteger. Óbvio que isso não é suficiente pra tranqüilizar o povo (ainda mais pra alguém como sua irmã, por exemplo, com filha pequena). Embora os fatos mostrem que o número total de seqüestros caiu de 2.882 em 2002 para 486 no ano passado, as famílias que moram no campo, principalmente, já adquiriram uma espécie de "síndrome de seqüestro crônica", ou seja pânico desse negócio.
Os atentados terroristas também tiveram uma queda na Colômbia, de 1.645 em 2002 para 387 em 2007. Esse resultado também se deve a destruição aérea de muitas plantações de coca e outras medidas estratégicas militares. (Fonte: Dados do Ministério da Defesa da Colômbia)


Em geral o que a Beatriz contou é que os Colombianos voltaram a se sentir um pouco mais seguros, confiantes com o Uribe, mas sabem que a operação de resgate foi feita através da estratégia das Forças Armadas Colombianas + apoio EUA, muito antes do Uribe surgir. Como ela mesmo diz: "É uma operação que vai se manter independente se o governo é de esquerda ou direita, pois o povo já legitimou e aprovou essa junta militar criada pelos EUA". Do Uribe ela diz: "Também é fácil criticar o Uribe, mas o grande mérito dele foi ter apoiado as forças armadas e conseqüentemente o povo. Com isso ele obteve pontos com o povo Colombiano". Quando perguntei o que ela achou do envolvimento do Lula nisso tudo, a resposta veio forte: "Como todos os esquerdistas que mais falam do que fazem...ele falou, falou e não fez nada pra ajudar".

Ela também afirma que a liberdade de Ingrid Betancourt representou para o povo Colombiano uma janela para que o mundo olhasse um pouco mais para o que acontece por lá, como é conviver com toda essa situação. " A Colômbia é feita essencialmente de matagal. Eu mesma moro no campo. Os revolucionários nos roubaram a liberdade de ir e vir". E pra finalizar o papo, a última de suas ótimas frases: "Eles insistem em implantar o socialismo na Colômbia! Hello!!!! A Colômbia segue o fluxo do mundo. Pra isso acontecer o mundo precisa mudar primeiro e não a Colômbia isoladamente".


(PARTE III - LAS VOCES DEL SECUESTRO)
Li em vários blogs e sites a revolta contra a mídia por ela estar focada só nos seqüestrados e em todo o sentimentalismo que vem junto e não abordar outras questões dos Revolucionários.
Concordo, mas em parte, porque é o tipo de coisa que não adianta segurar, tem coisas que fogem do controle. O povo gosta de desgraça, tragédia e tudo aquilo que traz a tona emoções, comoções e afins, que gera uma certa cumplicidade ou repugnância. E a mídia obedece e alimenta ainda mais.
Pro meu texto não fugir das raias da normalidade, encerro ele com muita emoção. Ao menos pra mim. ;-))

O que mais me "emocionou" na conversa com a Bea foi conhecer "Las voces del secuestro" e com isso fuçar em todos os inúmeros sites, programas, textos e mobilizações que a Colômbia e o mundo fazem em volta do assunto "reféns", sejam eles sequestrados, desaparecidos, ou reféns que sofreram estorção, atentados, perdas e etc.

"Las voces del secuestro" é o programa oficial dos seqüestrados e seus familiares. É transmitido aos domingos pela Rádio Caracol e pra mim é o que teve melhor solução em conseguir manter um canal de comunicação com esses reféns. Se alguém se interessar em dar uma fuçada, segue o link:

http://www.caracol.com.co/programa.aspx?id=561992

Considerado, segundo a própria ficha do programa, a primeira agência de notícias especializada em tudo que seja relacionado com liberdade pessoal no mundo o programa propicia que os "seqüestrados/reféns" se atualizem com relação a revolução, com os últimos acontecimentos, relatos de ex seqüestrados, entrevistas relacionadas ao tema e principalmente a possibilidade de receber notícias de seus familiares por eles mesmos. Minha mãe sempre diz: "a dor ensina a gemer" e concordo muito! Achei comovente esse esforço de tentar se comunicar com um ente querido, sem nem saber se ele está ouvindo ou se algum dia vai ouvir.

Como já diz o ditado: "Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé! E foi exatamente isso que o programa se propôs há muitos anos atrás: levar a informação com pitadas de fé e amor até os "reféns". No site é possível participar dessa comunicação interagindo com mensagens e ouvindo todos os programas no "Arquivo de Áudio". Vale a pena ouvir as mensagens dos familiares aos seqüestrados. Os programas recebem os convidados e podem variar de um simples parabéns pelo aniver de um parente, a diálogos de esperança, relatos de quem já foi refém e etc.
"Familiares do Coronel Luis Mendieta envia saudações por seu aniversário em meio ao cativeiro"; "Familia Mora pede por liberdade de seu filho Juan Camilo Mora Torres","Policiais resgatados relatam tudo o que viveram durante os anos que permaneceram em poder das Farc" são exemplos de alguns títulos.

A idéia do programa é dar apoio aos familiares e seqüestrados através da esperança e manter um fluxo de comunicação, mesmo que unilateral. Muito bonito, muito surreal, muito selvagem! Imagina tu poder ouvir a tua mãe no meio da selva ou seja lá onde estiveres "escondida" e ver que se passaram seis anos, mas não estas esquecida. Que estão te esperando e lutando por ti, cuidando dos teus filhos. A própria Ingrid disse que saber de seus filhos, ouvir sua mãe fez com que ela arranjasse forças do além pra sobreviver e não se matar.

Tem um outro site que me chamou atenção, mas esse achei fúnebre demais, mas não menos prestativo, também com o título "las voces de secuestro", mas nada a ver com o programa. Parece mais um site de móveis, mas ao invés de ter catálogo de produtos tem um catálogo de seqüestrados, mortos, desaparecidos...macabro até, mas segue o link por curiosidade.:

Http://www.lasvocesdelsecuestro.com/index.asp

Enfim, se pesquisar dá pra se perder (só na Web) de tanta coisa que gira em torno da Guerrilha, dos Revolucionários seqüestrados e afins.
No geral, o assunto revolução e todas as suas causas e conseqüências movimenta a Colômbia, seus mercados internos paralelos e cada um deles possui uma dimensão e objetivos distintos.

É confortante e porque não emocionante saber que em meio a tudo isso a gente ainda consegue ter rasgos de fé. Há uma fagulha de esperança de que algo possa mudar, se reestruturar de uma forma diferente da atual...até o ponto em que essa mobilização toda não precise mais existir. Por enquanto os "reféns (parentes e seqüestrados) " contam com uma dosagem conta gotas de esperança e motivação para agüentar...Vai saber o que será o futuro!

Um fato eu sei: Tchê, eu não agüento esperar meia hora numa fila, imagina seis anos num cativeiro??????

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Não tô contendo minha felicidade...


..em saber que eu e o John fomos selecionados pra trabalhar no show da Madonna, que acontece amanhã (11/09)  aqui em Londres!
Trabalho a parte, espero ao menos conseguir ver a passagem de som! ;-)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Brincando de faz de conta!


(Primeiro Pensamento do dia)

A vida imita a arte ou a arte imita a vida?
Hoje tô achando mais divertido pensar que a arte imita a vida...

E sendo assim, quem sabe crio a minha grande obra baseada na vida...uma obra que reúne todas as terapias de uma vida.
O processo artístico começaria por gravar todas as terapias de uma vida (Ser artista contemporâneo não é mole, anos e anos de dedicação), juntar todas essas fitas repletas de "conflitos", tirar das fitas os rolos onde estão armazenados "o conteúdo", juntar tudo num grande lixão de acrílico e expor numa sala vazia. Literalmente "botar pra fora".

Ou melhor, fazer algo mais contemporâneo, quem sabe uma intervenção coletiva:
Ao invés de uma pessoa só "botar pra fora", quem sabe socializamos a idéia e fazemos um "botar pra fora" coletivo. Cada um grava os conflitos da sua existência ao longo da vida, junta todos os seus "rolos existenciais" numa caixa e por fim, lá por 2058 (acho que lá pelos "enta" tá bom, assim damos chances aos mais novos e aos mais velhos de participarem) cada um troca de caixa com outra pessoa aleatória, trocando dessa forma o "conflito" com alguém.
Lindo simbolismo, não? Ao passo que te livrastes do "teu conflito" segues sentindo as dores do mundo, pois em troca ficastes com "conflitos novos" de outra pessoa, podendo sentir "os conflitos" e "as dores" de outro alguém e quem sabe entender melhor a humanidade como um todo.

(Juro que não tô deprê, achei até romântica a idéia!)

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(Segundo Pensamento do dia)

Quem se interessa por conflitos alheios? Que chatice! Sejamos práticos, melhor que fiquemos com os nossos, pelo menos a gente conhece, sabe como lidar!

Nos dias de hoje seria bem mais interessante, (e aí vamos deixar que a vida imite a arte) criar uma obra (ok, já sai da linha contemporanea há horas!) em que fosse possível gravar ao invés de "conflitos existenciais", algo como as "transações entre políticos e empresários".

Já imaginou? Faríamos o mesmo processo inicial de repente, o de expor em uma sala os rolos (acho que não caberia!), ou melhor em muitas salas, e despejar ali todo o "conteúdo".

Não falo de CPIs fraudulentas, falo de o povo ter acesso a todos os códigos dessa conversa (contas, senhas, combinações e acertos).

Certamente a gente teria muitas chances, ainda que num futuro distante, de rever boa parte do NOSSO dindin de volta.

domingo, 31 de agosto de 2008

Morte e "Sina" Severina




Life is "step by step", and in the last week my life has been like "Sina Severina"!

As told me my friend Fer, "when you're feeling bad and any stupid hungarian or poland talk with you after a bad day, don't forget to make things funny", as FerMarth does.

Picture that: Fer, 4 months ago, in a shitty restaurant, eating the food in five minutes after having worked exhaustive hours with a soon of a bitch. And he goes, trying to be sympathetic just after treating her like a dog:

- Where are you from?

And she madly goes:

- I'm from hell!!! (look at her face)

É por essas e outras que eu sou fã dessa diaba! ;-)


"Somos todos severinos
Iguais em tudo e na sina
Há de abrandar estas pedras
Suando-se muito em cima
Há de tentar despertar
Terra sempre mais extinta
E há de tentar arrancar
Algum roçado das cinzas.
Mas para que nos conheçam
Melhor essas senhorias
E melhor possam saber
A história de nossa vida:
Somos todos severinos
Que pelo planeta emigra”.

(Morte e Vida Severina- João Cabral de Melo Neto)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Um brinde ao mundo virtual

Nessa fase "férias forçadas" a insonia é minha melhor amiga. Aquela que antes dormia com a Cinderela agora não dorme antes das 3 da madruga. Normal pra muitos, mas estranho pra mim, que sou ser da luz e do dia!

Anyway, o bom é que com esse tempo livre, geralmente tão escasso pra todos nós, dá pra atualizar todas as leituras, ir de blog em blog, de fotolog em fotolog, de flikr em flickr, saber tudo que tá acontecendo com TODO mundo e com o mundo, "tomar um fartão" e chegar a conclusão mais manjada do mundo, mas nem por isso menos assustadora de que vivemos soterrados na era virtual!

Tchê, agora mesmo tava lendo um blog de um amigo que aderiu ao twitter. Pra quem não sabe é um programa em que cada participante conta pra sua rede o que tá fazendo no momento em que tá fazendo!

Há quem diga que esse programa age com se fosse uma espécie de "terapia freudiana", fazendo uma metáfora esdruxula. A partir de uma ação despejada ali por um dos integrantes, como numa catarse diária, sem penso algum, os outros integrantes vão formando livre associações, dando alguma continuidade ao texto inicial (mesmo que pareça sem sentido), gerando assim a construção de correntes de comunicação.

Bacana? Talvez. O que acrescenta? Ainda não enxerguei o brilho dessa ferramenta. A primeira vista me parece um Big Brother boring. Só mais uma página pra atualizar e perder tempo. Mas quem sou eu pra falar do twitter, eu mesma já aderi a tantas outras ferramentas dessa espécie, como orkut, blog, flickr, facebook.

O fato é que quando faço essa "limpa na galera" me assusto um pouco. Quanto tempo dedicamos ao VIRTUAL e o quanto isso interfere no REAL?!
Com todo esse, digamos assim "excitamento virtual" pode o "excitamento real" ser um sonho sempre a alcançar, lá adiante?

Tava lendo ontem a entrevista do Slavoj Zizek (em outro blog obviamente) e uma das respostas bateu forte e acho que reflete um pouco isso:

-When were you happiest?

"A few times when I looked forward to a happy moment or remembered it - never when it was happening."

Outra situação que me fez pensar nesse excesso virtual em que vivemos foi quando recebi umas amigas que eu adoro aqui em Londres. Confesso que me choquei com a instantaneidade com que elas atualizavam a viagem delas pros outros.
Suponho eu que a idéia de viajar seja justamente desconectar, vivenciar algo novo, culturas, pessoas e por aí vai.
Não que elas não tenham curtido a viagem, mas praticamente todos os dias da estada delas aqui o orkut foi abastecido com fotos, e nisso obviamente o feedback da turma querendo saber as novis...e daqui a pouco mensagens do celular pros amigos e fotos e filmes e fotos e filmes...
Numa parte da viagem me lembro da Fer, que mora aqui em Londres, comentando:
- Eu fui pra Paris, cheguei na Torre Eiffel e quando eu me dei conta vi que a gente tinha fotografado TODA ela, fazendo caras e bocas e ângulos, mas eu ainda não tinha parado pra olhar pra ela, pensar nela. Era como se a gente estivesse numa espécie de compulsão: tirando e tirando foto sem parar e contemplar realmente.

Estaria a nossa mente trabalhando menos ao passo que tudo é armazenado em algum outro lugar fora do nosso corpo/mente?!

Me despeço aqui. Depois de quase três horas lendo os textos alheios, mais uma escrevendo no blog eu vi que eu ainda tenho que atualizar o orkut, o flickr, o facebook e ir dormir.

Namorar?

Quem sabe...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pérolas de Portugal

Só pra pegar ainda mais no pé dos Portugues, não podia deixar passar em branco algumas pérolas que encontrei por lá:
1. Primeira cidade a desbravar na Pátria Mãe: o Porto. Pego o tube e o jornal Metro (distribuição gratuita em todas as estações) e olhem o que eu encontro:


Sim, isso é um jogo de sete erros!!!&5wrdtfj@hfcfhjc

2. Já em Lagos (Algarve) as placas de transito são minimalistas ao extremo...Olhem isso!! Alguém se habilita a traduzir??

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Praia da Marinha em Algarve


Paraiso encontrado ao Sul de Portugal.
So faltou encontrar a Madeleine pro enredo ser ainda mais surpreendente.
13.08.2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

ZILEF REVINA!!!


As vezes vou NA LUA , em outras A LUNA vem ate mim.
As vezes fico NUA LA, em outras o sentir ANULA qualquer bobagem.

Muita coisa mudou, pelo visto so minha Juba que nao.

Meu ciclo eh ANUAL

e L U A N A eh meu nome.


sábado, 12 de julho de 2008

Gummy Bear + Crazy Fog = mega popular + ruim

Soco o o r r o!
O que pode ser pior que isso?

Obs1: Nao percam a versao em frances do Gummy Bear.
Obs2: Observem o pintinho e o dentinho podre do Crazy Fog! ;-P






Talvez o esqueleto da Amy correndo no parque, conforme postou tempos atras nossa amiga Lu Rodrigues, esteja no pareo dos videos acima. ;-)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Outros tempos, outros dias

Rumo a praia com a Ju a promessa era sol, descanso, diversao, negrinho na panela e cerveja no copo. Ainda no carro, com o som alto, foi como se literalmente minha boca falasse por mim sem que pudesse conter as palavras:
- Ju, abaixa o som please!

/=/

Ali ja se passavam seis meses e era como se ainda estivesse intacta na minha memoria aquela frase: "Abaixa o som please"!
Ela gostava de ouvir o som muito alto. Depois de acordar bem cedinho, tomar banho, deixando que a agua quente fosse abrindo os poros do meu corpo, como num despertar para a vida e para o dia incessante que viria, tomava o cafe com as gatinhas e ia trabalhar.
No trabalho mal conseguia fumar um cigarro (ok, sejamos sinceros: sempre tinha um tempinho pra fumar um cigarro, mas era como se nao tivesse, pois o tempo voava e os afazeres eram muitos).

Quando conseguia me desprender do trabalho - coisa boa a sensacao de liberdade- ja tinha mais um zilhao de coisas pra fazer (assim como voce deve ter, nao eh mesmo?). Na etapa "tres" do dia era chegada a hora de canalizar minhas energias para os estudos. E la ia eu pra faculdade. Por sorte pegava carona com uma colega ate la. Chegava la pelas sete da noite, horario que apelidara de "baixa da guarda". Depois do almoco e a aquela hora da tardinha meus olhos baixavam a guarda e se encaminhavam pra outra dimensao. A viagem durava poucos minutos, mas o suficiente pra que eu entrasse em orbita e comecasse a girar e girar e girar... enquanto o professor falava qualquer coisa.

Passado esse momento delicioso e revigorante a legitima Poliana que existe em mim ressuscitava..desperta, ativa e mega interessada. Minhas energias estavam recompostas e do "in" eu ia pro "on" num piscar de olhos, afim de ver o que daquela aula me seria util na vida.
Adorava sarcasticamente a forma como meus colegas me odiavam. Meus questionamentos irritavam massivamente as pessoas a ponto de ser fuzilada com contra argumentos feitos de marchmallow. Ok, confesso que eu era arrogante e um tanto "especial" (pra nao dizer chata!), mas em contrapartida eles eram uns babacas de pijama.

Na "quarta" parte do dia, ja rumo a casinha dentro do bus, a Poliana ia ligadinha e obrservando tudo que via, como uma atenta expectadora. Chegava a inibir certas pessoas com o seu olhar aberto e penetrante. Mais do que a beleza, mais do que o estilo, a Poliana tinha o poder de desnudar cada um. Um simples gesto ou uma simples fala me faziam ver ao fundo (Nem sempre eu queria ver ao fundo, saco!). Louca? Neurotica? Nao sei, mas o fato eh que conseguia e ainda consigo facilmente enxergar as profundezas das alminhas. Como? Talvez os anos de terapia nesse corpo pudessem explicar a facilidade de ver tanta nudez e tanta desprotecao no olhar de cada um.

Em casinha me esperavam tres gatinhas lindas: eu era a quarta. Ela sempre me esperava com uma janta do seu repertorio de cinco ou seis receitas otemas que ela sabia preparar com tanto amor.

Depois de um dia cheio..jantavamos e falavamos sem parar. Nossos rostos eram meigos e felizes. Eu sempre lavava a louca e ela sempre cozinhava. Esse era o nosso trato. Trato esse que eu adorava. Pra mim lavar a louca era como lavar a alma depois de um dia cheio. Minha mente subia das profundezas pra beirada e eu pensava sutilmente em um pouco de tudo: na minha relacao, nos comportamentos, no mundo, nos afazeres mais banais, nos meus amigos e gatinhas e por ai vai. No fim era como se nao pensasse em NADA e assim eu seguia lavando a louca...logo vinham outros temas pra me dispercar e ocupar o espaco dos anteriores na minha cabecinha.

Enfim O DESCANSO, essa era a palavra apropriada: me jogava no sofa e contemplava o ceu estrelado, com as pernocas pra cima e as gatinhas ao meu redor e era nesse momento que o TUDO significava NADA pra mim e TUDO o que eu queria era NADA. E NADA nao combinava com som alto, por isso eu nao cansava de dizer todos os dias nessa mesma hora:
- Amor, abaixa o som please!

/=/

Num rasgao de segundos, naquele carro com a Ju, tudo isso veio a tona: a lembranca de dias passados, de um amor perdido e da busca incessante pelo NADA.

sábado, 7 de junho de 2008

Impossible goalkeeper!



Hoje na volta pra casa, lendo o jornal "The Times", encontramos essa obra de buzz mkt.

Eh a acao que a adidas esta fazendo em um parque de Viena pra divulgar a sua nova colecao de luvas de goleiros. O garoto propaganda eh o Petr Cech, goleiro da Republica Checa e do Chelsea. A acao foi criada pela TDWA de Berlim e segue dentro do slogan da adidas "Impossible is nothing" ao assinar "The impossible goalkeeper".

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Tate Modern and Street Art













Seis artistas, entre eles o Nunca e os Gemeos do Brasil, expuseram seus trabalhos na fachada do Tate Modern. Ao todo sao seis imagens, de 15 metros cada uma.

A que mais chamou atencao foi a bem la de cima, de um cara chamado JR, de Paris.
Nessa imagem a arma que o sujeito esta segurando nao eh a "convencional"...
Digamos que nesse caso aquela velha frase - "Uma imagem vale mais que mil palavras"- se adequa bem e nos leva a ver mais que duplos sentidos nessa obra de impacto e poder.

Vale a reflexao. ;-)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Caminhos!


PANE! Eh tanta coisa, tanta informacao, tanta experiencia diferente, tantas linguas e culturas ao mesmo tempo que meu HD ainda ta se adaptando a Londres.
Das coisas boas de Londres que todo mundo ja ta careca de ouvir, algumas delas valem ressaltar de nuevo...Londres eh a capital da leitura e das livrarias maravilhosas (os jornais e algumas revistas sao de graca!! ). Qualquer coisa que aconteca na rua nao eh motivo pra que os olhos alheios se voltem pra quem quer que seja... no metro, nas paradas, ninguem olha pra tua cara, mas tao sempre olhando prum bom livro. Capital das excentricidades (ja achei que vi a Yoko Ono uma cem vezes, o Osama Bin laden e sua turma umas duzentas e nao posso mais ouvir falar na Amy Winehouse e suas bebedeiras). Tem tambem a turma do bronx...alias eh a que mais tem..nossa, como tem mano aqui! O Pia e suas festas iam se dar bem! Sem falar nos punks e afins de Camden Town, nos muitos trabalhadores fodidos que trabalham 25 horas por dia sonhando voltarem pra sua terrinha pra poder comprar seus sonhos...e por ai vai, GENTE, GENTE E MAIS GENTE!
O melhor ate agora:
- as vitrines (Nossa, tem muita coisa bacana).
- a quantidade de emprego que tem pra quem trabalha com web e design (Meu deus..eh uma imensidao de oportunidades nestas areas!).
- a quantidade de cursos (se quiseres podes fazer curso pra aprender a bordar em tampinhas de garrafa..uma doidera as opcoes...pra TODOS os gostos e atividades).
- os supermercados (meu passeio favorito!) repletos de temperos e queijos e cogumelos maravilhos e baratos...
- o transporte Publico tambem eh legal (eh caro, mas funciona...ele eh todo interligado...vais pra qualquer lado de metro, onibus ou trem e a qualquer hora do dia e a noite tem night bus).
- A agitacao noturma comeca as 17h30..ou seja..depois de cinco horas de festa voltas pra casa as 22h30. A nossa festinha Matine do Sotao ia fazer sucesso por aqui.
- O poder de compra...se tu ganha em pounds..tu pode ser um pedreiro que vais conseguir comprar teu mac, tua maquina digital da hora, comer, se vestir bem e ainda vai sobrar uma graninha pra ir conhecer Paris! Impressionante a valorizacao dessa moeda!
O Pior:
- A necessidade de se programar pras coisas (ainda nao conseguimos nos estabelecer a ponto de comecar a programar a vida...mas pra ires a shows legais, teatro, restaurantes, viagens precisa se programar com muita antecedencia..uma pe no saco, mas que no fim das contas vale a pena).
- A parte ruim dos super eh que sao cheios de enlatados e congelados e as chances de acabar neles sao grandes . Outro pe no saco eh que a comida aqui tem que ser consumida no dia...carne entao..comprei uma carninha...no dia seguinte ja tava preta, no outro tava podre!
- Pra capital do mundo, Londres encerra suas atividades muuito cedo e o metro encerra a meia noite!! Como assim?!! ;-(
Londres pra mim eh ainda um misterio....com uma imensidao de coisas pra fazer ao mesmo tempo em que parece estar tudo escondidinho e o unico que se ve sao seus bairros com o tradicional estilo ingles, com uma simplicidade impar. Fazendo uma analogia eh como se voce desembarcasse em POA sem nunca ter ido antes. Por mais que tenhas internet, algumas poucas dicas e alguns amigos descolados...demora um tempinho pra descobrir que a noite nao eh na guete! Ou que o restaurante da hora e barato nao eh no shopping Praia de Belas. Ou que o bairro bom de morar eh y e nao x.
Por enquanto mal conheci o basico..alguns parques e museus tradicionais...ai soube no domingo que tinha show free do hot Chip nessa segunda (tinha que ter se programado! As coisas bacanas esgotam em segundos) e quis me jogar pela janela...mas eh assim, um passo de cada vez e aos poucos estamos entrando mais na cultura local e conhecendo os lugares bacanas, as barbadas...vivendo mesmo.
Ah, e os caminhos: sao muitos!
beijos
Lua

sábado, 12 de abril de 2008

Lulu&John vão voar! ;-)

Espero todos os amigos lá no Laika na quinta - feira para celebrarmos esse momento e nos despedirmos!

beijocas
Lua

quinta-feira, 3 de abril de 2008

ÚLTIMA CHANCE! ;-)

Pessoal,

próximo sábado (05/04) é o último dia do meu torra-torra!
Ainda sobraram coisas bem legais e baixei os preços ainda mais
pra liquidar de vez. Segue lista do que ainda tem. Barbadinha.
Se souberem de alguém com interesse, por favor, repassem.


01 iMAC GRAFITE COMPLETO, 40GB: R$920,00
TV CCE 21” – R$170,00
DVD PHILIPS SEMI- NOVO – R$75,00
02 MP4 PLAYER LG, SEMI-NOVOS: R$80,00 CADA
01 MÁQUNA MINOLTA COM TELE OBJETIVA + ESTOJO: PREÇO 700,00, MAS COMO ESTÁ TRAVADA (TEM QUE MANDAR DESTRAVAR) FAÇO POR R$500,00
CABIDEIRO RÚSTICO DE ANTIQUÁRIO - THONART: R$330,00
02 CADEIRAS THONART ANTIQUARIO: R$220,00 CADA
MESA RÚSTICA: R$220,00
VÍDEO CASSETE – R$45,00
MÁQUINA LAVAR CONSUL, 4 LITROS – R$380,00
PUFFS TOK STOK COLORIDOS (2 PEQUENOS + 1 GRANDE): R$170,00
4 ALMOFADAS TOK STOK COLORIDAS: TODAS POR R$50,00
ARMÁRIO SALA – RÚSTICO – R$250,00
LIQUIDIFICADOR BLACK E DECKER: R$20,00
AQUECEDOR NILKO (AR QUENTE E FRIO): R$70,00
ASPIRADOR DE PÓ: R$65,00
FERRO DE PASSAR: R$15,00
COLCHÃO SEMI-NOVO: R$160,00

E MAIS MUITAS ROUPAS FEMININAS BEM ESTILOSAS E BARATINHAS (COMO VENDI MUITA ROUPA, ACRESCENTEI UMA NOVA LEVA DE ROUPAS BACANÉRRIMAS PARA ESSE SÁBADO).


Quando: sábado, 05/04, das 14 às 20h
Onde: Av. Venâncio Aires, 115/35 Cidade Baixa
Contato: 99818353
Pq: TORRA – TORRA MESMO!!

terça-feira, 25 de março de 2008

BRECHÓ ESSE FINAL DE SEMANA!

Conto muito com a presença de amigos e conhecidos e amigos dos conhecidos pra fazer meu bota-fora render muuuito neste final de semana!!
Estou me desfazendo de praticamente toda a casa + muuitas roupas e acessórios legais!

Até o final de semana!
beijos
Lua

segunda-feira, 24 de março de 2008

KAMA SUTRA

AS VÁRIAS MODLIDADES DE CASAMENTO - CAPÍTULO XVII
"Várias são as advertências dos referidos sábios: não casem com mulher de nariz achatado, de umbigo saliente, sem educação, de voz de falsete, hermafrodita, com papada, a que sua constantemente os pés e as mãos."

UHAUHAUHAUHA

AS FÁCEIS - CAPÍTULO XXXI
"Volúveis como o vento, com uma personalidade movediça, é natural que as mulheres, quando não bem educadas, se tornem da categoria das chamadas mulheres fáceis".

RAZÕES FINAIS - OS AMADOS
" As mulhres não primam pela franqueza de suas intenções. Entre elas é comum que um NÃO na verdade corresponda a um SIM. Compete ao bom entendedor traduzir corretamente tão estranha linguagem."

"Eis uma regra sábia à luz da erótica, e que muitos esquecem, com o perigo dos futuros aborrecimentos: não se deve cortejar mais de uma mulher ao mesmo tempo."

"Vencido o natural período de timidez da mulher, cabe ao homem fazer-lhe um certo número de presentes, caros e bonitos."

"Estabelecida a amizade entre os pares, deve o elemento macho gozar todos os prazeres permitidos pela erótica. Entretanto, caso se trate de uma virgem é necessário que o homem se torne afável, gentil, jamais aplicando a violência."

Potinho de Ouro!






Adoooooooro a jornalista Mônica Waldvogel, diria que sou sua fã, apesar de acompanhar pouquíssimo seu trabalho.
Essa coisa de instantaneamente identificarmos nas pessoas semelhanças e diferenças das quais gostamos e entendemos como legal, ruim e etc. é muito comum e muito forte também, pois sem querer já pré-definimos uma pessoa antes mesmo de conhecê-la. Ela lembra muito a Cleusa, minha orientadora da Faculdade, de quem sou fã. Lembra muito também a Bitinha, mãe número 2, de quem sou fazérrima.

Mulher bem humorada, decidida, inteligente, madura, leve, porém profunda. Ok que não durmo com ela pra saber seus reais defeitos e aflições, mas ela me passa essas qualidades fácil, fácil...
Consegue sair da superficialidade para as profundezas com a mesma sutileza com que toma um chá.
Tem coisa mais porre que gente que não sai da beirada? Que não dá um mergulhinho pra ver o que tem lá no fundo? Sendo a linha reta e continua o que permeia todas os seus instintos apagados! Tendo como pano de fundo o marasmo infinito e a mesmice tediosa (Cruzes!).

Me inspiro nessas mulheres e em muitas outras, na esperança de que quando eu cresça consiga ser tudo isso e mais um pouco (ainda tenho tempo – hehe- recém estou entrando na adultescência).
Enquanto isso não acontece, deixa eu seguir me inspirando nessas personas pela vida a fora.
A Mônica disse uma coisa essa semana no Saia Justa sobre a vida que é bem verdade, e é mais ou menos assim:

- Ela não arriscaria planejar para sua vida, se dedicar a uma única fonte de felicidade, como, por exemplo, no caso das donas de casa, que passam cuidando do lar e da família. Sem menosprezar as donas de casa, mas é que na vida, precisamos de uma gama variada de fontes inspiradoras, de diferentes combustíveis (casa, marido, trabalho, hobbys, amigos, prazeres) pra viver feliz. Tudo se modifica, nada é eterno. Assim, quando nos frustramos com uma destas fontes, o que é bem comum, temos as outras pra recorrer e se fortificar. Tendo SÓ uma, o risco de se frustrar pra sempre e o castelo desabar é bem maior.

E viva a diversidade! ;-)

sábado, 8 de março de 2008

Pura coincidência?

Homem é tudo igual? Mulher é dissimulada quando lhe convém? Conflitos existenciais? Sacanagem? Traição e ciúmes? Egoísmo? ? ? ? ?

Claro que homem nao é tudo igual (ao menos o meu nao é) e que as coisas nao sao estáticas, mas é impressionante como os mitos gregos da época da renascença estão presentes na nossa formação ocidental, principalmente enquanto arquétipos e estereótipos.
Através de suas imagens mitológicas nos deparamos com situações e arquétipos que se referem à essência do homem e a situações vivenciadas hoje em dia e que ainda tem o mesmo sentido de tempos atrás.

Conhecendo os mitos conseguimos enxergar claramente a origem da traição, os valores atribuídos aos homens e os as mulheres, os deveres de cada um, as contradições do espírito e etc.


Um belo exemplo disso está num clássico da Mitologia, expresso nessa carta dos Enamorados, do tarô mitológico:

“Estamos diante do príncipe troiano Páris, que recebeu de Zeus a incumbência de presidir um concurso de beleza entre três deusas: Hera, Afrodite e Atena (E COMEÇA A VELHA COMPETIÇÃO...).
Quando Páris nasceu, um oráculo previu que o menino seria a ruína do império do pai, o rei Príamo de Tróia. Com medo da profecia, o pai mandou que o menino fosse condenado a morte (EGOÍSMO PEGANDO), abandonado a própria sorte no topo de uma montanha. Por obra do destino, o garoto foi salvo por um pastor generoso que o criou e ensinou-lhe seu ofício (TENHA FÉ!). E assim, Páris cresceu e se criou como pastor de ovelhas. Ao se tornar homem, além de cuidar do deu rebanho, ele passava todo o tempo livre envolvido em façanhas amorosas, pois era muito bonito e sedutor.
Quando surgiu a questão no Monte Olimpo, entre Hera (rainha das deusas), Afrodite (deusa do amor) e Atena (deusa da justiça) para saber quem era a mais bonita, Zeus creditou a Páris, justamente por sua enorme e variada experiência com as mulheres, seria o melhor juiz para o concurso.
Sabiamente Páris recusou o privilégio sabendo muito bem que, qualquer que fosse a sua escolha, restariam sempre as outras duas que jamais o perdoariam. Contudo, Hermes, mensageiro de Zeus, ameaçou-o com a ira de Zeus (CHANTAGEM DA BRABA!!). Em seguida, Páris gentilmente se ofereceu para cortar a maça em três partes, pois jamais poderia escolher uma entre as três belezas esfuziantes. Hermes também não aceitou a proposta do rapaz, e assim as três deusas se colocaram diante dele.

Hera ofereceu-lhe o império do mundo caso a acolhesse. Atena prontificou-se a fazer dele o guerreiro mais valente e mais justo de todos os tempos. E Afrodite, despindo-se de poucas vestes, ofereceu-lhe a taça do amor, prometendo-lhe por esposa a mais linda mulher mortal (CADA UM JOGA COM O QUE TEM! TUDO É UMA TROCA!). O resultado não poderia ter sido outro. Páris, jovem e inexperiente, além de não ter ainda consciência dos valores morais e espirituais, escolheu Afrodite sem a menor hesitação (HOMEM É TUDO IGUAL ATÉ NA MITOLOGIA!!).
Sua recompensa foi a famosa Helena, rainha de Esparta e, para seu azar, esposa de outro homem. Hera e Atena, preteridas e humilhadas, simularam um sorriso (MULHER É DISSIMULADA ATÉ NA MITOLOGIA!!) e declararam que não poderiam força-lo a nenhuma outra decisão senão a que já haviam tomado e partiram unidas, tramando a destruição de Tróia (QUEREMOS VINGANÇA!). Assim, foi deflagrada a famosa Guerra de Tróia, que começou com a fúria do marido enganado de Helena e terminou com a destruição total da cidade e de seus governantes. E mais uma vez o oráculo confirmou suas profecias (E TODOS PAGARAM PELOS ERROS DE ALGUNS POUCOS).”

Acho que lembra um pouco os tempos de hoje, não?

quinta-feira, 6 de março de 2008

Recuerdos de mi padre



Meu avô por parte de pai é daquelas pessoas que vale a pena conhecer nessa vida. Francisco Kaderabek seu nome, ou vovô pato, atualmente vive em Buenos Aires com seus 88 anos. Dotado de uma impressionante saúde e memória, lembra de todos os fatos, relatos e acontecimentos da história universal e especialmente das duas guerras mundiais do século passado. Na verdade, só fala disso o tempo todo e com detalhes minuciosos. Não só porque é uma pessoa culta, mas porque esteve de certa forma muito presente nesses episódios históricos.

Seu pai, meu bisavô, também Francisco Kaderabek, ocupou cargos importantes no governo europeu no século XX. Entre alguns cargos foi ministro de Portugal e ministro da Tchecoslováquia (sua terra natal) perante Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Pelos relatos que sempre ouvi, ele fora uma pessoa muito boa e inteligente, com histórias de vida incríveis e um caráter contestador que realmente não vemos nos tempos de hoje.

Vovô pato teve a oportunidade de presenciar muitas das façanhas de seu pai e soube de outras tantas, o que o instigou a escrever despretensiosamente parte delas em 1982.

Em 2005 eu e o John nos deparamos com esses escritos e resolvemos fazer deles um livro chamado “Recuerdos de mi padre”. Agora em março de 2008 acabamos de fazer a segunda edição deste livro com umas quarenta páginas complementares. Fizemos de forma artesanal e com poucos exemplares, como da primeira vez, mas foi um grande presente pra a família e amigos próximos. Nesse livro estão relatados como diz meu avô “coisas que não constarão na história oficial”, relatos que só quem conheceu de perto pode contar.

Com a guerra, os Kaderabek, que eram muitos, foram praticamente dizimados, restando apenas meus bisavós e seus filhos, que para sobreviver partiram para Buenos Aires em 1935. Recentemente e graças à internet, uma sobrinha de meu avô (neta da irmã de sua mãe) que perdeu TODOS seus parentes na guerra, nos descobriu em Buenos Aires. Ela vive hoje nos EUA e vem de visita agora em março.
Bom, como dizem los argentinos, “Todo eso parece muy aburrido para los demas”, mas caso alguém tenha curiosidade e queira exercitar o espanhol, vou inserir os capítulos do livro no blog, aos pouquinhos, em homenagem ao vovô pato e a sobrinha neta desconhecida.


INTRODUÇAO
Las páginas que siguen no pretenden ser um libro en el sentido usual de la palabra, vale decidir algo que se ofrece indiscrimadamente al público en general, sino que se trata de anotaciones que se refieren a mi padre, de hechos o episodios que he conocido en forma directa (generalmente contados por él mismo).
Porque existe por un lado la Historia con mayúscula, dónde se registran los hechos para la posteridad, cuando se estima que realmente merece tal distinción. Y por el otro lado existe la historia menos, de cosas que también tuvieron su interés, significación o influencia, que no se escribe y por tal motivo cae con el correr del tiempo – de una o dos geraciones – en un total e irreversible olvido.
Mi propósito es efectivamente dejar materializados estos recuerdos para nuestra familia, presente y futura o para aquellos que tuvieron alguna vinculación amistosa con nosotros. Evidentemente si mi padre hubiera sido una persona común y corriente, a la que nunca le ocurre algo rutinariamente previsible, ningún sentido o interés habría en referirlo.
Pero, tal como lo relataré, creo que mi padre fué en más de un sentido un personaje extraordinario, quién ya formaba parte de la historia de su país, Checoslovaquia, y de no haberse transformado en un país comunista, dependiente políticamente da la Unión Soviética, el recurdo de algunos de sus actos hubiera perdurado o si se quiere se hubiera oficializado sin lugar a dudas. Es sabido sin embargo que el regimén comunista trata de minimizar o eliminar de la historia todo lo que pudo haber ocurrido antes de la era en que dicho régimen se implantó en el país; no le gusta la competencia y aborrece todo aquel patriotismo que no fuera de un buen comunista. Basta leer la historia, tal como la cuentan los rusos, para darse cuenta de ello.
Evidentemente lo que hubiera sido muy interesante y seguramente entonces sí se trataría de un libro fascinante, es si mi padre lo hubiera redactado él mismo; en realidad ese fué un poco su propósito y le instamos reiteradamente de redactar sus memorias, cuando ya se había retirado de toda actividad y vivía en su quinta de Adrogué, dónde se dedicaba a leer incansablemente todo lo que podía: historia, filosofia, arte, ciencia, medicina y no sé cuantos temas más. Leía preferentemente los libros en sus textos originales, ya que hablaba siete idiomas, y si se le agregaba el latin y el griego clásico, que dominaba, serían nueve los idiomas.
Desgraciadamente súbitamente empezó con problemas de salud e inclusive tuvo que ser operado de cuidado a los 80 años de edad, y el libro nunca se escribió.
Se han perdido muchos relatos de gran interés, que solamente él conocía, de sus propias actividades y de sus encuentros con algunos de los grandes de su época, entre los que figuraron presidentes, reyes, ministros, políticos etc.
Mi propósito es tratar de rescatar del olvido por lo menos algo, de lo que me acuerdo.
Francisco Kaderabek
Buenos Aires, abril de 1984
BREVE RESEÑA HISTORICA
Considero indispensable hacer una brevíssima reseña histórica de Checoslovaquia, para entender el accionar y posición en la vida de no solamente mi padre, sino de todo checo que se considera como tal.
Porque, por lo menos hasta la guerra del “14” se conocía una Serbia, una Polonia ó Rumania, pero de los checos poco o nada se sabía y de allí es que mucha gente creyó que la República Checoslovaca (independiente a partir del 28 de octubre de 1918) fué un invento o creación artificial del Tratado de Versalles.
Y nada más erróneo, por cuanto se trata de un re-nacimiento de uno de los más antiguos estados de Europa.
Hay antecedentes, en el territorio de Bohemia, de tribus eslavas en los siglos VIII y IX, pero el primer rey de Bohemia, católico, fué Wenceslao, patrono de Bohemia, conocido como San Wenceslao, asesinado en Praga en el año 929. De allí en adelante floreció por varios siglos el reino de Bohemia, otras veces de Bohemia y Moravia, país rico y progressista, que atrajo artistas y arquitectos, principalmente de Italia. De los tejes y manejes surgió en el siglo XIV la dinastía Luxemburguesa, uno de cuyos reyes fué Carlos IV, quién mandó levantar los grandes palacios e iglesias de Praga, fundó la Universidad Carolina (La primera y más antigua de Europa Central), construyó el puente Carlos, que cruza el río Moldava, que es igualmente el mayor puente de su época, en aquella parte de Europa.
La hija de Carlos IV, llamada Ana, se casó con el rey Ricardo XI de Inglaterra, siendo por lo tanto reina de aquel país y ese vínculo tuvo grandes alcances ya que Ana simpatizaba con las actividades y pensamientos de Wycliffe y fueron las ensañanzas de éste que inspiraron a Juan Huss, checo, quién se convirtió en predicador en Praga.
En definitiva quería una cristandade más pura y más comprensible al pueblo, y para ello quería – entre otro – que la misa se diera en el idioma checo. Fué considerado hereje por el Consejo de Constanza y quemado vivo.
Cuando en un momento del siglo XVI quedó vacante el trono de Bohemia, lo reclamó desde la vecina Austria el archiduque Ferdinando y desde entonces empezaron tribulaciones para los checos quienes pasaron a ser governados por los Habsburgo. Cansados y al cabo de casi un siglo se rebelaron contra los Habsburgo, y éstos, tras traer ejercitos de Austria chocaron violentamente en la Batalla de la Montaña Blanca (cercana a Praga) en noviembre de 1620, dónde los checos fueron vencidos.
Siguió a ello una terrible represión tendiente a aniquilar y borrar todo vestigio de los checos del mapa . Todos sus nobles fueron detenidos y fueron todos decapitados en un sólo día. (1300 en total). Sus propiedades fueron confiscadas, se prohibió el uso del idioma checo en todo documento oficial, reemplazándoselo por el alemás, y se prohibió la ensañanza, en los colegios, del idioma y gramatica checa.
Ello duró tres siglos.
Tres siglos durante los cuales el idioma y las tradiciones se conservaban y transmitían de padre en hijo, y en forma oral solamente, porque ni los libros en checo se permitía imprimir.
Si bien durante esos siglos el imperio Austro-Hungaro se componía básicamente de tres naciones (austríacos, húngaros y checos), esta última era totalmente ignorada por los gobernantes a punto tal que los emperadores se hacían coronar en Viena primero y luego en Budapest, pero no en Praga. Aunque ésto hoy parezca difícil de creer, los checos se consideraban personalmente muy ofendidos por éste gesto, entendiéndo que un rey que no fuera coronado en su país, no era su rey.
Así las cosas, se llegó a mediados del siglo XIX y en ese momento surgió una generación de escritores, poetas, músicos, filósofos, etc. Checos, quienes vislumbraron que se acercaba el momento en que iban a poder reivindicar los derechos a un país independiente, y para ello entendieron que era necessario preparar al pueblo.
Se reconstruyó la gramática, y se empezaron a publicar libros y poesías (más que nada en forma clandestina), se levantó el teatro nacional de Praga (exclusivamente con donaciones particulares), se hizo música checa por A.Dvorak – quién recopiló la música popular – y con B. Smetana, cuyo poema sinfónico “De mi patria”es un poco un segundo himno para todo checo. Y de himno hablando, también compuesto en el siglo XIX, su tema principal sonsiste en la pregunta “? Dónde está mi patria”?.
Se creó también la sociedad gimnástica “Sokol” cuyo lema era “Mens sana in corpore sano”, pero cuya principal misión era prepararse para el futuro de la nación.
Cuando estalló la guerra del 14, todos los checos vieron en ello una probable posibilidad de sacudirse el yugo de los Habsburgo.
La persona en quién todos viéron desde el princípio el representante de sus anhelos e ideales de independencia, fué el profesor de filosofia Tomás G. Masaryk, quién efectivamente se entrevistó con todos los grandes de su época, para habrarles de la causa checa. Encontró especialmentre un eco muy positivo en el presidente de los Estados Unidos W. Wilson, a punto tal que al recrearse el estado checoslovaco, la principal estación de ferrocarril de Praga, llamada hasta entonces de Francisco José, fué rebautizada por Estación Wilson.
En cuanto a Masaryk, cabe señalar que en uno de sus viajes a los EE.UU., conoció una hermosa muchacha de Brooklyn, llamada Carlota Garrigue, con la qual se casó, y vivió toda su vida.
Durante la guerra del 14 todos los checos querían pelear contra los Habsburgo y sus aliados los alemanes, y para ello todos que se encontraban en el extranjero, se presentaron como voluntarios para constituir los respectivos ejércitos, que también se engrosaron con los que pudieron huir de Bohemia.
Se creó entonces una situación algo atípica para los Aliados, a cuyo lado pretendían luchar ejércitos de un país formalmente inexistente. La situación se resolvió denominándose a esos ejércitos “Legiones Checas”, y a los soldados “legionarios”.
Estos ejércitos llegaron a contar hacia el fin de la primera guerra mundial cerca de 200.000 soldados, de los cuales 90.000 en Rusia, y el resto en Italia, Francia, Estados Unidos, etc.
En realidad el primer reconocimiento del nuevo estado consistió en un decreto del Presidente de Francia, de 1917, dónde se reconoció la existencia de un ejército checoslovaco independiente, con el uso de su propia bandera.
Finalmente cabe decir dos palabras de los legionarios en Rusia: cuando empezó la guerra, el ejército checo que se formó allí, se propuso luchar, y luchó al lado de los ejércitos rusos imperiales (del zar Nicolás). Al producirse la revolución bolchevique em 1917, no quisieron inmiscuirse en la guerra civil que siguió, y por ello decidieron retirarse de Rusia.
Como la guerra civil estaba en su apogeo en lo que es la Rusia Europea, por dónde no podían pasar, decidieron irse al Este, hasta Vladivostok, cruzando toda la Siberia en sus ocho o diez mil kilómetros, en una verdadera odisea.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Filha da Mãe!


As águas vivas, mais conhecidas como mães d’agua, são animais comuns nas profundezas dos mares. Como ainda não tive a oportunidade de desbravar a profundeza dos mares do mundo é nas beiradas de capão que mais as encontro. Também pudera, lá esses serzinhos repulsivos aparecem aos borbotões exibindo seu corpo feito com 99% de água. Não é à toa seu nome, “água viva”, no sentido de ser confundida com a água, de ser tão transparente quanto ela, mas nem tão inofensiva assim.

Quando a tal te queima é natural você pensar que foi fisgado pela maldita, mas na verdade foi você quem foi ao encontro dela. Ocorre que as águas vivas não costumam enxergar. Isso se deve ao fato de a maioria serem animais primitivos que já existiam antes dos olhos virarem itens de série nos seres vivos microscópicos (também acho bizarro. Verdade ou conseqüência: foi o que li por aí).

Chutaria que não conheço alguém que nunca tenha sido queimado por uma mãe d’agua. É raro. Eu mesma devo ter sido queimada umas oito vezes entre infância e adolescência.
De todas as formas: pega de raspão pelos fios, atingida na costela com tudo.
A mais marcante foi uma vez que dei um mergulho e fui recepcionada por ela! Veio de raspão na minha cara. Um pavor.
Até hoje quando mergulho, dou aquele clássico bico, porém com a mão mais abertinha, como proteção do rosto.

Dia desses ouvi uma história surreal, estilo filme “esqueceram de mim”, em que tudo dá perfeitamente errado para os ladrões.

Imaginem:
Um gordinho querido e falante que sonha em um dia virar um surfista sarado (nem entremos nesse dilema!) e resolve se aventurar de fato nesse esporte.
Foi num dia de sol em que o mar estava amigável. O Godi (vamos chamá-lo assim) pegou a prancha do seu primo e vestiu uma camiseta pra evitar atritar seu pneu com a prancha. Ao entrar no mar deu um mergulho e logo sentiu alguma coisa incomodando ele nas costas... não precisou muito pra perceber que a água estava literalmente “viva” e dentro de sua camiseta.
Não eram só os fios, não foi de raspão. Era ela todinha esmagada entre a camiseta e as costas do Godi. Em ato desespero I Godi levantou a mão direita e puxou a bicha pra fora da camiseta. A bicha por sua vez ,instintivamente, se enlaçou na mão do rapaz. Em ato desespero II ele apelou pra mão esquerda e lutou pra tirar a bicha da mão direita. A bicha por sua vez, instintivamente e instantaneamente se enlaçou na outra mão do rapaz. Em ato desespero III ele começou a sacudir a mão esquerda freneticamente até a filha da mãe se desenlaçar e cair na água, “sumindo” por entre as águas.
Todos esses atos de desespero renderam muita queimadura, dor e UM ano de manchas pretas pelas partes atingidas.
É por isso que eu digo: sempre pode ser pior.

Por curiosidade e sorte nossa que esses gigantes das profundezas (vide imagem) não aportam no nosso litoral:
“A maior água-viva conhecida até o momento é a Nomura Jellyfish, que passa dos 2 metros e dos 200 kg fácil. Em algumas épocas do ano, essas águas-vivas imensas são levadas para a costa do Japão por correntes marinhas do ártico. Essas águas vivas são consideradas umas pragas, pois matam os peixes, deixando os pescadores em maus lençóis.” (http://mundoanormal.info/animais-bizarros-das-altas-profundidades ).

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Nem tudo é um moranguinho com chantily

Tive um sonho ruim e estranho e desconfortável e maluco também:
Sonhei que eu estava em um ônibus e tinha um velho ao meu lado, o velho me lembrava o pingüim do batman e/ou uma gorda que eu conheço que tem corpinho de pingüim.
O fato é que ele tava ao meu lado há horas enquanto seguíamos caminho. Só depois de um tempão é que me dei conta que ele tava passando a mão nas minhas costas, no estilo carinho nojento- macio- devagar- meloso - estranho.
Quando olhei pra cara dele vi que ele tava muito excitado: me encarava e ao mesmo tempo se encolhia de prazer, meio que afofando as partes.
Nessa hora foi como se eu despertasse, não do sonho, mas do que aquele “carinho” significava.
Me deu um pavor e corri pro fundo do bus. Soltei uns gritos bem altos pro resto do pessoal entender o que tava acontecendo. Foi quando olhei pra frente - o bus seguia seu caminho - e vi a cena. O “pingüim” – sem gestos e olhares - deu uma cambalhota pela janela afora e se foi.
O bus nem parou pra olhar pra trás. O “pingüim” se atirou literalmente de cabeça. Nem ao menos tentou se explicar, virar pra trás, falar algo, dar uma de maluco, dizer uma última palavra antes da partida.
Ele simplesmente se foi, sem a menor dúvida de que aquele seria seu último prazer em vida. MUITO LOUCO. A verdade é que esse sonho mexeu comigo, me deixou mal, passei o dia com o farol baixo e em vários momentos voltei a pensar nessa doideira.

Hoje, passado uns dias, me caiu à ficha, o que também pode ser pura bobagem: morte = renascimento; Se atirar de cabeça = impulso, decisões teoricamente “impensadas”. Muito parecido com tudo que estou vivendo, chutando alguns baldes, matando algumas coisas para renascer outras e o mais incrível é se dar conta que um sonho “cinza” desses pode significar coisas muito boas que estão por vir...

E tudo isso também me fez lembrar a época em que escrevia todos os meus sonhos logo ao acordar e passava interpretando eles. Lembro que quanto mais eu analisava, mais eu sonhava e vice-versa. É aquela velha história, “quanto mais se dorme, mais se quer dormir”. Eu tava tão fascinada com aquilo que em muitas ocasiões acordava de madrugada pra escrever os muitos sonhos que eu tinha em uma única noite. Era como se eles viessem a galope. E na maioria das vezes tinham bichos nos sonhos.

Nesse remember, escrevo abaixo na íntegra uns sonhos malucos com bichanos que tive:

14/06/2003 – “Sonhei que eu tava na Romênia com a Bibi, num festival de cinema que a gente havia sido convidada. Era só um final de semana e tinham vários famequianos por lá – esses que tem grana pra passear bastante. Entrei num museu de bichos ou algo assim. O chão tava cheio de insetos, cobras, bichinhos rastejantes. Andava meio que aos pulos.

27/04/2003 - "Sonhei que eu tava num clube estilo Hípica com a família e amigos. Segurava o Pedro no colo. Junto tava o Rô, o tio Ademar. Era como se o Pedro se transformasse num cachorro. O cachorro andava pelos cantos da parede tentando morder as cobras ao meio. E as cobras não paravam de se procriar, como se fossem larvas que vão virando cobras. Nós as defendíamos e o Rô segurava o gogó do cão para não matar as cobrinhas. Elas se procriavam muito.."

28/04/2003 – “ Sonhei que eu dormia na casa de alguém e o meu quarto ficava do lado da cozinha. Quando eu fui dormir tinham baratas, baratinhas pra tudo que era lado. Não consegui dormir, acordei a pessoa. Na outra noite seguia com um monte de barata surgindo. O resto eu não lembro, pois escrevi muito tarde.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ano Novo - Vida Nova!


É inevitável que no ano novo a nossa cabecinha (a de cima!!) faça uma espécie de retrospectiva do que vínhamos fazendo com a nossa vidinha e com a vidinha dos que estão ao nosso redor. É inevitável que a gente tenha esperanças de uma vida melhor pra todo mundo e ao mesmo tempo veja que muitas coisas ruins continuarão a se repetir no ano que está por vir. É inevitável que a gente sonhe em fazer coisas diferentes, sonhe em dar “vida nova” aquela “roupinha gasta”. É inevitável que a gente pense em mudar velhos hábitos e queira continuar mantendo aqueles que geraram bons frutos. É inevitável que a gente queira se aproximar de algumas tantas pessoas e se afastar de outras muitas.
Sério, sei que tô odiosa, réplica lado B da Marta Medeiros de tão brega...Mas quem não imaginou em 2008 fazer aquela viagem pra bem longe? Quem não imaginou visitar mais seus avós velhinhos? Quem não imaginou cuidar mais do corpitcho? Quem não imaginou
arranjar um namorado novo ou então namorar BEM MAIS o já existente? Quem não imaginou fazer um curso bacana em uma área nada a ver com a sua? Quem não imaginou trabalhar BEM MENOS e curtir a vida BEM MAIS? Quem não imaginou começar algum trabalho voluntário, ajudar mais os outros? Quem não imaginou adotar um bichinho? Ou mudar o visual. Ou passear com os sobrinhos? Ou ter mais consciência das coisas, VIVENDO o presente? Ou pirar o cabeção mais vezes também? Ou dar pipoca aos macacos?



Se você não atirou a primeira pedra: apenas reflita.
Se você atirou a primeira pedra: me avise. A-D-O-R-O brincar de decifrar criaturas enigmáticas - psicologicamente falando.

Ano-novo e vida-nova pra todo mundo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Jung II

A nossa consciência pode se orientar em relação à experiência de quatro formas.
De maneira geral cada um de nós possui uma dessas quatro formas em predominância, porém todas elas estão presentes em dado momento da nossa vida.
Determinada forma pode predominar ou se ocultar. Tudo vai depender da natureza da experiência, de quantas vezes o bicho foi solto e foi dominado e da forma que ele nos pegou, entende?

As formas são basicamente:

1. Pensantes – aquelas criaturas que racionalizam tudo, através das faculdades intelectuais.
2. Inteligentes - aqueles que pensam através de sentimentos. Seria um sentir com uma função racional e organizada.
3. Intuitivos – aqueles seres irracionais, que de forma involuntária são dominados por sua profunda percepção e palpite.
4. Sensitivos – aqueles que não entendem o que acontece, não fazem idéia, mas tem a nítida sensação de que há alguma coisa.

Num resuminho simplório, a sensação diz que alguma coisa existe. O pensamento nos mostra o que é essa coisa. O sentimento revela se é agradável ou não. A intuição nos diz de onde vem e para onde vai.

Você já parou pra pensar de que forma o bicho pegou você?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Extremamente Alto & Incrivelmente Perto

Mas quê?
Sofrer pra quê?
Com o tempo?
Com o alento?

Minhas botas tão pesadas.
Prefiro viver. Prefiro acreditar. Prefiro voar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Criando um monstro!

A Fabi sempre teve um parafusinho a menos na cabeça e o engraçado é que ela mesma admitia isso, falava no assunto sem problema algum.

- Desde pequena sempre fui diferente das outras crianças. Considerada uma adultinha entre meus amigos, e responsável entre os mais velhos, eu era a pessoa do grupo que tomava conta, a prevenida, que pensava em todas as possibilidades catastróficas para cada situação. Falo isso sem problemas, até porque acredito que com os 30 anos que tenho hoje, não sou mais assim, meu ascendente em aquário já fala mais alto que meu signo em câncer.
Além disso, essa paranóia, mania de perseguição ou prevenção aguçada, como quiser chamar, me foi muito útil em dois sentidos da minha vida.
Sempre foi difícil acontecer algo realmente ruim comigo... Imagina que a paranóia era tanta que calculava a distância dos passos do estranho que caminhasse atrás de mim, previa todas as alternativas de fuga, de caminhos alternativos quando passava por uma obra em construção imaginando o Jack estuprador dentro dela.
Fora todo esse cuidado, hoje vejo que penso de forma muito rápida - sério, sem falsa modéstia - e sou capaz de contrapor hipóteses, imaginar situações, inventar versões e histórias como ninguém.
Ou seja, vendo o lado positivo de tudo isso, ao menos estou vivinha da silva e a minha profissão foi beneficiada com tudo isso. Quanto mais criatividade, melhor! Que assim seja!

Eu e a Fabi viajamos por três dias no total, num início de agosto quente. Nosso destino final era Uberlândia, cidade que faz parte do triângulo mineiro junto com Uberaba e Araguari entre outros municípios da região, bem ao norte de Minas Gerais, pertinho de São Paulo.
Apesar de estarmos a trabalho, eu como produtora e figurinista e a Fabi como representante da agência de comunicação da empresa para a qual trabalhávamos no evento – Ela na verdade era a designer que havia criado a concepção da passarela e do stand-deu pra perceber que já estávamos praticamente íntimas (como só as mulheres sabem ser) e nossos papos iam muito além da boca de cena e das luminárias da passarela.

Num dos papos foi que trouxemos essa história da infância, a caminho de Uberlândia, ainda no avião. Eu também falei um pouco da minha infância, que olhando pra trás, via como tinha sido boa, cheia de brincadeiras nas ruas, cheia de ingenuidade, amigos, arte e poesia, como a infância de uma criança deve ser. Claro que hoje me sinto um pouco verde pras coisas, aprendendo muitas delas pela primeira vez, mas acho que isso não chega a ser um defeito, nos tempos de hoje talvez seja até uma qualidade.

Enfim, papo vai papo vem, chegamos ao nosso destino. Ficamos hospedadas no mesmo hotel que ficava bem em frente à casa de espetáculos que íamos trabalhar. Colocamos a mão na massa logo pela manhã e só paramos às dez da noite. Logo depois que terminamos tudo, fomos pros nossos respectivos quartos tomar um banho, ficar bem cheirosas e zarpar pra noite. Ao menos a esse luxo nos permitíamos nas viagens, depois de trabalhar feitos camelos, escolhíamos o restaurante mais chique e badalado da cidade e a diversão tava garantida e só começando.

Nessa viagem havíamos construído mais um tijolinho da nossa “amizade”. Estávamos mais próximas, trocando confidências com uma sintonia fina.

Já na recepção vi que a Fabi tava diferente, pálida feito um fantasma. Quando chegamos ao restaurante é que ela me contou:

- Ai colega, não sei se voltei a pirar, se essa volta à infância tem alguma coisa a ver, mas aconteceu uma coisa muito estranha enquanto fomos tomar banho.

- “Nossa que poderia ter acontecido, o jatinho do banheiro virou um monstro enquanto ela tomava banho? Tinham colocado veneno no ar condicionado? Havia alguém embaixo da cama? Essa Fabi deve ser uma louca mesmo, já pensava eu cá comigo mesma”, mas como boa representante da ala feminina, fiz cara de espanto e interesse e pedi que contasse em detalhes o que de tão estranho tinha acontecido.


- Sabe o que foi, pode ser uma bobagem ou não, mas quando eu tava entrando no banho o telefone tocou. Tinha uma voz de homem do outro lado da linha que disse:
- Quem fala?
- É a Fabiana.
- Mariana?
- Fabiana!
- Juliana?
- Fabiana!!
- Mariana?

- Lá pela quarta vez me senti uma idiota e desliguei na cara do ser. Só podia ser um trote! Mas quem teria interesse em me passar um trote? Isso é coisa de criança e a voz era de homem feito. Liguei pra recepção e perguntei se tinham me telefonado. Responderam que não. Perguntei quem poderia me ligar direto, sem telefonista. Apenas os demais quartos. A princípio não me assustei, mas já no banho voltei a pirar como se tivesse doze anos. “E se for um psicopata? Já tinha visto muitos filmes com esse perfil, eram frios e insistentes. E se me viu chegar e ficou obcecado? Provavelmente tava seguindo todos os meus passos. E se me viu pela janela do quarto, pelada? Podia ser um tarado. E se o apartamento dele fosse ao lado do meu e desse pra me ouvir?”.

- Calma Fabi, não esquenta. É muito comum passarem trote. Eu mesma já recebi milhares de trotes na minha casa e não passou disso. Esquece essa bobagem, vamos curtir o finzinho de noite que nos resta!

22h da noite do dia seguinte, passado o extenso dia de trabalho.

- Fomos direto prum barzinho que ficava na praça principal da cidade – Sim, em Uberlândia ainda se faz jus às praças. Havíamos conhecido uma turma na noite passada e ficamos sabendo que esse era o point da cidade, tinha um climinha alternativo e chique ao mesmo tempo – Sim, em Uberlândia existem lugares legais.
Na verdade esse bar tinha o nome da praça onde estava localizada, em homenagem a árvore que cobria todo o bar e boa parte da praça, pura poesia o tal de Belvedere.

Lá pelas tantas a Fabi volta na história do telefonema:

- Sabe, eu ainda to encubada com essa história. Nem te contei, mas ontem quando tava entrando no quarto de madrugada um homem muito suspeito tava passando pelo corredor e quando me virei pra olhar quem era ele tava me encarando. Coincidência né? Num hotel tão business um cara passando as 3 da madrugada pelo corredor. Sei não..

- “A meu deus, de novo essa ladainha, guria bem chata quando assume essa personalidade doente!” Polidamente disse: Fabi pensa comigo, se fosse um psicopata já teria se manifestado, não achas? Até porque saberia que vais embora amanhã e que o tempo dele é curto pra agir.


2h da madrugada
Ao chegar no hotel combinamos o dia seguinte.
- Amanhã te encontro às 6h no café. Nosso vôo é às 8h. Não pude conter a ironia e dando risada soltei: “Fabi! Cuidado com o bicho papão, ele pode te pegar”.
Vi que ela levou na brincadeira e nos despedimos rindo muito.

Na verdade, vim a saber as novas confidências no dia seguinte, durante o nosso vôo de volta. Quando nos despedimos no elevador, no dia anterior, pensei que a Fabi estava se divertindo com a brincadeira do bicho papão, mas não, aquele remember trouxe a tona um assunto que a bebedeira já tinha tratado de ocultar.

(Relatosdabêbadapsicótica):
- Putz, saí do elevador dando risada, mas cheguei ao quarto e não conseguia pregar o olho. Tava num excitamento! Sabe aquela palpitação no coração de quando estamos apaixonada mesclada com a sensação de vertigem/enjôo que ficamos quando olhamos pra baixo, de uma altura de 50 andares?
Era assim que eu me sentia. Claro que um pouco era pelo excitamento pós-evento, porque sempre fico na adrenalina, mesmo tando cansada. Mas outro TANTO era pelo pavor de apagar a luz e pensar no psycho.
Não conseguia pregar o olha e nem queria, me borrava só de imaginar a luz apagada. Fiz palavras cruzadas, tentei ler um pouco. Lá pelas 3h (parecia que já tinha passado uma eternidade) parei com essa bobagem e botei meu ascendente pra trabalhar. Tomei vergonha na cara e apaguei a luz! Sô louca, mas nem tanto. Um mulherão de 30 anos com medo do bicho papão. Mudei os rumos e tratei de pensar em coisas boas. “Pensei insistentemente em mar, praia, sorrisos, abraços, como aquelas fotos de bancos de imagens super fakes, mas incrivelmente perfeitas pra esse momento”. Quando já tava pregando o olho...

- “Nossa, vai ver que o chuveirinho começou a falar dessa vez”. Contrariando a personificação da ala feminina, fiz cara de tédio enquanto ouvia o desfecho da história.

(Continuação dos Relatosdabêbadapsicótica):
- O telefone tocou. Fiquei imóvel. Gelada. Meus batimentos cardíacos foram aos céus.
3 da madrugada!!!!! Quem me ligaria a essa hora?????
Segui imóvel na cama e a essas alturas meus batimentos já acompanhavam o toque do telefone como uma sinfonia. Puta que pariu pensei, porque isso ta acontecendo comigo? Logo eu! Decidi deliberadamente não atender, por nada desse mundo.
A criatura já tava na quinta ligação sem parar, tava ficando insuportável pra mim e num ato impulsivo atendi a porra do telefone.

- Alô!
- Fabiana?
- A mesma voz masculina de homem feito. Desliguei na cara e tremendo liguei pra recepção.

- Oi, gostaria de saber se a recepção telefonou pro quarto 412 agora?
-Sim Sra. Fabiana, desculpa incomodar a essa hora, mas está tendo um vazamento no quarto 414, ao lado do seu, e a única forma de mexer nos registros é através do seu apartamento. Teremos que subir aí agora Sra. Fabiana. Em nome do hotel lhe peço desculpas.

- Meu mundo caiu. Me vesti, recebi os viventes (quatro homens entraram no meu apartamento pra concertar o vazamento) e não preguei o olho a noite toda.
Fiquei pensando em tudo isso, recapitulando todos os fatos e sabe que percebi uma melhora na minha atitude. Ficou claro pra mim que aos pouquinhos, cada vez mais eu tava me curando de toda essa loucura que a infância me remetia. Pensa comigo, se eu tivesse realmente paranóica, teria pensado também na hipótese de o hotel estar pegando fogo e não apenas de ter um psicopata atrás de mim. Você não concorda?